Um babalaô me contou

“Antigamente, os orixás eram homens.
Homens que se tornaram orixás por causa de seus poderes.
Homens que se tornaram orixás por causa de sua sabedoria.
Eles eram respeitados por causa de sua força,
Eles eram venerados por causa de suas virtudes.
Nós adoramos sua memória e os altos feitos que realizaram.
Foi assim que estes homens tornaram-se orixás.
Os homens eram numerosos sobre a Terra.

Antigamente, como hoje,
Muitos deles não eram valentes nem sábios.
A memória destes não se perpetuou
Eles foram completamente esquecidos;
Não se tornaram orixás.

Em cada vila, um culto se estabeleceu
Sobre a lembrança de um ancestral de prestígio
E lendas foram transmitidas de geração em geração para
render-lhes homenagem”.

Pierre Fatumbi Verger

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A "nação" Angola

A "nação" Angola, de origem Banto, adotou o panteão dos orixás iorubás (embora os chame pelos nomes de seus esquecidos inkisis, divindades bantos, assim como incorporou muitas das práticas iniciáticas da nação queto.

Sua linguagem ritual, também intraduzível, originou-se predominantemente das línguas quimbundo e quicongo. Nesta "nação", tem fundamental importância o culto dos caboclos, que são espíritos de índios, considerados pelos antigos africanos como sendo os verdadeiros ancestrais brasileiros, portanto os que são dignos de culto no novo território a que foram confinados pela escravidão.

O candomblé de caboclo é uma modalidade da nação angola, centrado no culto exclusivo dos antepassados indígenas. Foram provavelmente o candomblé angola e o de caboclo que deram origem à umbanda. Há outras nações menores de origem banto, como a congo e a cambinda, hoje quase inteiramente absorvidas pela nação angola.

O Deus supremo e Criador é Nzambi ou Nzambi Mpungu; abaixo dele estão os Jinkisi/Minkisi, divindades do Panteão Bantu. Essas divindades se assemelham a Olorun e Orishas da Mitologia Yoruba, e Olorum e Orixá do Candomblé Ketu.

Os principais Minkisi são:

Aluvaiá, Bombo Njila, Pambu Njila: intermediário entre os seres humanos e o outros Jinkice (cf. Exú (orixá)).

Nkosi: Senhor dos Caminhos, das estradas de terra Mukumbe, Biolê, Buré: qualidades ou caminhos desse nkise Ngunzu: engloba as energias dos caçadores de animais, pastores, criadores de gado e daqueles que vivem embrenhados nas profundezas das matas, dominando as partes onde o sol não penetra.

Kabila: o caçador pastor. O que cuida dos rebanhos da floresta.

Mutalambô, Lembaranguange: caçador, vive em florestas e montanhas; deus de comida abundante.

Gongobira: caçador jovem e pescador.

Mutakalambô: tem o domínio das partes mais profundas e densas das florestas, onde o Sol não alcança o solo por não penetrar pela copa das árvores.

Katende: Senhor das Jinsaba (folhas). Conhece os segredos das ervas medicinais. Nzazi, Loango: São o próprio raio.

Kavungo, Kafungê, Kingongo: deus de saúde e morte.

Nsumbu - Senhor da terra, também chamado de Ntoto pelo povo de Kongo.

Hongolo ou Angorô: auxilia a comunicação entre os seres humanos e as divindades.

Kitembo: Rei de Angola. Senhor do tempo e estações.

Kaiangu: têm o domínio sobre o fogo. Matamba, Bamburussenda, Nunvurucemavula: qualidades ou caminhos de Kaiangu Kisimbi, Samba_Nkice: a grande mãe; deusa de lagos e rios.

danda Lunda: Senhora da fertilidade, e da Lua, muito confundida com Hongolo e Kisimbi. Kaitumbá, Mikaiá,

Kokueto: deusa do oceano. Nzumbarandá: a mais velha das Nkisi Nwunji: Senhora da justiça. Representa a felicidade de juventude e toma conta dos filhos recolhidos.

Lembá Dilê, Lembarenganga, Jakatamba, Kassuté Lembá, Gangaiobanda: conectado à criação do mundo.

Ritual Na Angola, os sacramentos são:

1 - Massangá: Ritual de batismo de água doce (menha), na cabeça (mutue), do iniciado (ndumbi), usando-se ainda o kezu (Obi).

2 - Nkudiá Mutuè: (Bori)- ritual de colocação de forças (Kalla ou Ngunzu(Angola)= Asé(Axé) = Muki(Congo)), através do sangue (menga) de pequenos animais.

3 - Nguecè Benguè Kamutué: ritual de raspagem, vulgarmente chamado de feitura de santo
.

4 - Nguecè Kamuxi Muvu: Ritual de obrigação de 1 ano.

5 - Nguecè Katàtu Muvu: Ritual de obrigação de 3 anos (Nguece = obrigação), nessa obrigação, faz-se o ritual de mudança de grau de santo.

6 - Nguecè Katuno Muvu: Ritual de obrigação de 5 anos, preparação quase que identica a de um ano, só que acompanhada de muitas frutas.

7 - Nguecè Kassambá Muvu:ritual de obrigação de 7 anos, quando o iniciado receberá seu cargo, passado na vista do público, sendo elevado ao grau de Tata Nkisi (Zelador) ou Mametu Nkisi (Zeladora).

As obrigações, são de praxe para os rodantes, porque Kota (ekedi) e Kambondo (ogã), ja recebem seus cargos na feitura, portanto já nascem com suas ferramentas de trabalho, dão suas obrigações para aprimorar seus conhecimentos. Em Angola, quem passa cargo são os enredos de Dandalunda. Isto é, não é preciso ser filho de Dandalunda, mas é ela quem autoriza aquela pessoa a receber o cargo. Após 7 anos de obrigações, se renovarão a cada ano com rito de obi ou borí, conforme o caso, repetindo-se as obrigações maiores de 7 em 7 anos para renovar e conservar o indivíduo fortte, transformando-o em Kukala Ni Nguzu- Um ser fotte. Kunha Kele: Sacramento realizado 3 meses e 21 dias após a feitura ( tirada de kele), quando o santo soltará a Kuzuela = Ilá. Ordem de barco (sequência das pessoas recolhidas juntas para iniciação) na Angola 1º - Kamoxi, 2º - kaiari, 3º - katatu, 4º - Kakuanam, 5º - kakatuno, 6º - Kassagulu, 7º - Kassambà. Na hierarquia de Angola o cargo de maior importância e responsábilidade são: é mais frequente se dizer Tata Nkisi (homem) ou Mametu Nkisi (mulher).

By Candomblé de Angola

O candomblé de Angola

Esta religião foi trazida para o Brasil pelos negros de Angola e Kongo escravizados pelos europeus no final do século XVI (aproximadamente de 1700 a 1850). Os negros de Angola conseguiram com estratagemas, fazer atravessar os séculos de perseguição, a crença nos Inkisis. Convertendo-se parcialmente ou fingindo converte-se ao catolicismo. Graças a esta miscigenação, primeiramente entre Angola, Kongo e índios, e depois com a vinda dos Gêges e Iorubanos, dois séculos mais tarde, houve uma reinvenção destas tradições religiosas, a que se dá o nome de Candomblé, por sinal termo de origem Bantu.

O candomblé de Angola realiza um culto à natureza, onde elementos naturais como árvores, pedras e lagos se transformam em epifánias divinas, e reporta-se aos Inkisis; acentua a relação intensa entre o homem e a natureza e considera sagrado o espaço físico cotidiano, dando-lhe novos significados e modificando a percepção dos seus praticantes. O sol nascendo e se pondo forma um círculo que simboliza a eternidade da vida do homem, para o Bantu a morte é uma transição não um fim. As religiões tradicionais Bantu, antes de o colonizador chegar à África acreditavam num Deus Criador, sem fim, nem princípio e acima de tudo.

Os Inkisis do Candomblé de Angola

Angorô
Também chamada de Hongolo, Hongolo Meia / Menha, deusa das águas doces e do arco-íris. É popularmente conhecida, como Angoro ou Angoroméa, associada a Oxumaré, que é cultuada no candomblé ketu. Por conta dessa aproximação que as pessoas fazem, Hongolo Meia é do sexo feminino. Sua saudação é: Ngana'Kalabasa – Angoro Lê! (Senhor do Arco Íris – Angoro, Hoje!)

Dandaluna
Conhecido é Ndanda Lunda ou Dandalunda / Kissimbi, divindade da água potável e que atua no brotar das raízes. Esta divindade sempre causou uma polêmica, porque uma boa parte dos estudiosos, como Bastide e Prandi, a associa a Iemanjá do rito ketu, enquanto a maioria dos pais/mães-de-santo a aproxima de Oxum. É mais provável que Kissimbi seja uma divindade das águas doces, como a Oxum do candomblé ketu. Seus filhos a saúdam: Mametu Maza Muzenza – “Kissimbi E”! (Oh, Mãe da água doce – Kissimbi Ê!). Saudação: Pêmbele !!

Gangazumba
Nzumba (Zumbaranda, ou ainda Ngangazumba), é a divindade que atua sobre o eclipse e as águas turvas dos pântanos, e está associada a Nanã Buruku. Os fiéis a saúdam: Mametu Ixi Onoká – Zumbarandá (Mãe da Terra Molhada, Zumbarandá!

Gogombira
Tere-Kompenso/Teleku Mpensu ou Ngongobila/Gongobira, divindade protetora dos pescadores e caçadores. Em alguns terreiros ele está associado a Logun Edé do ketu. Sua saudação é: Mutoni kamona tere Kompenso – Muanza E! Kumenekena !! (Pescador menino Tere-Kompenso – Rio Ê!)

Inkosi
Inkosi, Nkosi/Hosi, em alguns lugares também é chamado de Mukumbi, Ngangula, Xauê. Deus da Guerra é uma divindade ligada à agricultura e protetora dos ferreiros. Alguns sacerdotes associam esse nkisi a Ogum. No entanto, não se furtam de saudá-lo por: Iuna Kubanga Mu Etu – Nkosi, Enengê!! (Aquele que briga por Nós Nkosi E)

Katendê
Katende/Mpanzu, divindade ligada aos encantos, segundo alguns sacerdotes, não se deve invocar Katendê, na língua kimbundu, e Mpanzu, na língua kikongo, porque eles não atenderão. Está associado a Ossain, divindade das folhas no candomblé ketu, embora alguns estudiosos, como Bastide e Carneiro, o aproxime de Irocô (outra divindade do candomblé ketu). Seja como for, os fiéis sempre o saúdam dessa maneira: Kisaba Kiasambuka – Katende! Ulamba!! (Folha Sagrada)

Kavungo
Kavungu, Kingongo, Insumbo/Nsumbo/Nsambo, deus protetor das pestes e doenças, e que também atua na sorte, está associado a Obaluaiê/Omulu da nação ketu. Seus filhos saúdam-no por: Tatetu Mateba Sakula Oiza – “Dixibe”! O Pai da Ráfia está chegando – Silêncio! Também conhecido em algumas regiões por Ntoto, divindade ligada à terra, não encontramos equivalente em outras nações,

Kianda
As sereias são chamadas de Kianda. Quando grafada com letra maiúscula, refere-se à seria de água salgada, a mais poderosa das kiandas, cujos caprichos ospescadores procuram aplacar com oferendas. É equivalente a Iemanjá do candomblé de kêtu. Saudação: Kiuá !!

Lemba Furaman
Talvez a mais importante divindade do panteão afro-bantu é Lembá ou Lembarenguenganga, que é ligada à fecundidade e é patrona do casamento. É uma divindade feminina e assemelha-se a Oxalá. Sua saudação é: Aximane Ngana Zambi !!

Luango
Conforme alguns sacerdotes, é auxiliar de Nzazi. Porém, para outros sacerdotes, este mesmo inkissi é auxiliar de Vunji. Vunji, deus da Justiça, que atua no nascimento das crianças. Por isso, a maioria dos sacerdotes e sacerdotisas aproximam-no aos Ibeji, que são divindades do panteão ketu. Sua saudação é: Umenekena!!, Vunji Pafundi –Vunji’e! (Vunji feliz – Bem-Vindo!)

Matamba
Divindade guerreira dona da paixão, Matamba é a rainha dos raios, dos ciclones,
furacões, tufões, vendavais. Nkisi do fogo, guerreira e poderosa. Mãe dos vumbi (mortos), guia dos espíritos desencarnados, senhora do cemitério, esta divindade está associada a Yansã na nação ketu. Sua saudação: Néngua’Mavanju – “Kíua Matamba”!(Senhora dos Ventos –Viva Matamba!). Bambulu Sena ou Mbulu Sena ou Mvula ou Bamburucema, divindade atuante nas tempestades e chuvas, pode ser considerada uma qualidade do inkissi Matamba. Já Kaiango ou Kaiong'u é uma divindade ligada aos espíritos e à caça, também da mesma família de Matamba.

Mutalambô
Outro importante nkisi é Mutakalambô, que é o deus da caça. Na mesma família temos Kabila, que é a divindade protetora dos pastores e caçadores, e Nkongo Mbila, príncipe protetor dos pescadores e caçadores. Em muitos terreiros, inclusive da nação angola-congo, os adeptos tendem a associá-los a Oxossi. Conforme Tata Katuvanjesi estes dois jinkisi têm a função de auxiliar Mutakalambô. Sua saudação é: Ekuê !!Kabila Duilu (Kabila, Caçador dos Céus).

Nzila, Pambu Njila ou Pambu Nzila
Também conhecida como Aluvaiá, é a divindade protetora dos templos e dos caminhos, está associada ao orixá Exu. Todos o saúdam da seguinte maneira: Kuiá! Luvaiá ngana nzila-Kuia - iva (Aluvaiá, senhor dos caminhos, Viva!)

Tempo ou Kitembo
Kitembo/Tembu está associado ao orixá Irocô ou a Tempo26, deus dos ventos, e atua na cura de doenças. Sua saudação é: Ekuê !!, Nzara Kitembo – Kitembo Io!(Glória Kitembo – Kitembo do tempo)

Zambi
Nzambi-Mpungu / Nzambi, ou simplesmente Zambi, é o deus da criação e está associado a Olorun ou Olodumaré do candomblé ketu. A respeito dessas divindades, alguns estudiosos crêem não ser muito conhecida e cultuada em todos os terreiros de candomblé angola-congo. Como, por exemplo, Ndundu (deus dos albinos) e Ngonga (divindade da prosperidade e da sorte).

Zazi
Nzazi-Loango ou Kambaranguanji é a divindade dos raios e dos trovões. Está associada a Xangô. Sua saudação é:A-ku-Menekene Usoba Nzaji (Nzaze!, Salve o Rei dos Raios – Grande Raio!).

Exu

Exú é o 1º nascido da existência e, como tal, o símbolo do elemento procriado. Mensageiro dos orixás , elemento de ligação entre as divindades e os homens, a um tempo mais próximo do mundo terreno e mais perto do elevadíssimo espaço celeste por onde transita Òrúnmìlà, é um orixá, é sempre a primeira divindade a receber as oferendas, justamente para que atue como um aliado e não como um rival que perturbe os procedimentos místicos desenvolvidos durante os rituais. Coerente com seu lugar mítico privilegiado, é ele que abre esse "corpus mitopoético" .

Princípio dinâmico e princípio da existência individualizada, Exú não pode ser isolado ou classificado em nenhuma das categorias. Ele é como o axé (que ele representa e transporta), participa forçosamente de tudo.
Segundo Ifá cada um tem seu próprio exú e seu próprio Olorún em seu corpo.
O nome de exú é conhecido, invocado e cultuado junto ao orixá. E é Ifá quem revela e permite-nos sabê-lo.

O Òkòtó representa o crescimento Agbárá - poder que permite a cada um se mobilizar e desenvolver suas funções e seus destinos. Por isso recebe o título de Elegbára (senhor do poder).Quem delegou esse poder à exú foi Olorún ao entregar-lhe o àdó-iràn , a cabaça que contém a força que se propaga. Esta cabaça está presente em seus "assentos", é uma cabaça de pescoço grande, e basta exú apontá-la a algo para transmitir seu axé.

Exú Elegbára é o companheiro de Ogun.Exú Yangi, pedra vermelha de laterita, pedaços de laterita cravados na terra, indicam o lugar de culto à Exú. Yangi é a representação mais importante de Exú e, é assim invocado:

EXÚ YANGI OBÁ BABÁ EXÚ
EXÚ YANGI rei, pai de todos os Exú.
Exú Yangi é o Exú ancestre, o Exú Agbá.


Oxé-tuwá, representante direto de exú, simboliza um de seus aspectos mais
importantes, o de ser encarregado e transportador das oferendas, Òjise-ebo.

Exú por ser resultado da interação de um par, é o portador mítico do sêmen e do útero ancestral e como princípio de vida individualizada ele sintetiza os dois, É por isso que frequentemente, e, é representado pela forma de um par, uma figura masculina e uma feminina, unidos por fileiras de búzios.

Exú está profundamente ligado à atividade sexual. Representados por um falo (pênis), ou suas representações simbólicas como: os penteados de forma fálica, sua arma, o ogó - bastão em forma de pênis -, sua lança; já as cabacinhas representam seus testículos.

Exú também está representado com objetos à sua boca; dedo, cachimbo e principalmente flauta, que vem representar a atividade sexual, como absorção e expulsão, ingestão e restituição, com a flauta Exú chama seus descendentes. Portanto símbolo por excelência da fecundidade.Exú jamais toma a forma de procriador.

Exú é cultuado tanto como lésè-égún, como lésè-orixá, e apenas por seu intermédio é possível cultuar os orixás e as Iyá-mi (mãe ancestre).
Não é apenas Òjisé-ebo, mas principalmente Òjisé, o mensageiro, fazendo a comunicação entre tudo que é oposto.

Com efeito a relação entre Exú e Ifá, é indiscutível, e Exú está representado em um dos principais emblemas característicos do culto à Ifá , o òpón, onde Exú tem sua representação em forma de rosto, de triângulos e losangos.

É no seu papel de princípio dinâmico, de princípio de vida individual e de Òjise ou elemento de comunicação, que Exú Bará está indissoluvelmente ligado à evolução e ao destino de cada indivíduo. Como tal ele também é senhor dos caminhos Exú Olònà, e ele pode abri-los ou fechá-los.Exú fica à esquerda dos caminhos. O elemento procriado, é a prova do poder das Iyá-mi, é o pássaro, o Elèye.

Exú foi o primeiro a usar ekódide (pena de uma espécie de papagaio) na cabeça, e foi isto que o tornou decano de todos os orixás. Alguém que coloca ekódide na cabeça sem necessidade, provoca a cólera de Exú.

Enganosamente ou mal intencionados, os primeiros missionários que chegaram à África, compararam-no ao diabo, por algumas de suas formas, artimanhas e poderes atribuídos. Ele tem as qualidades dos seus defeitos, pois é dinâmico e jovial, havendo mesmo pessoas na África que usam orgulhosamente nomes como Èxúbíyìí (concebido por exú), ou Èxùtósìn (Exú merece ser adorado).

Como personagem histórica, Exú teria sido um dos companheiros de Odùduà, quando da sua chegada à Ifé, e chamava-se Exú Obasin. Tornou-se mais tarde, um dos assistentes de Orúnmilá, que preside a adivinhação pelo sistema de Ifá. Segundo Epega, Exú, tornou-se rei de Kêto sob o nome de Exú Alákétu.
É Exú que supervisiona as atividades do rei em cada cidade: o de Oyó é chamado Exú Akesan.

Como orixá, diz-se que veio ao mundo com um porrete, chamado, ogó, que teria a propriedade de transportá-lo, a centenas de quilômetros e de atrair, por um poder magnético, objetos situados a distâncias igualmente grandes.

QUALIDADES:

Elegbára
Alákétu
Laalu
Jelu
Run danto
Tiriri
Lonan
Jele bara
Anan ou Inan
Bará
Jigidi
Mavambo
Embeberekete
Sinza Muzila
Sandú
Baragbo
Akesan
Baralajki
Betire
Lamu Bata
Okanlelogun

Girly Paradise Gifs

Exú Elegbára = senhor do poder
Exú Yangi = pedra vermelha de laterita, primeira protoforma existente (água + terra)
Exú Àgbá = pai-ancestre (representação coletiva de todos os exús individuais)
Exú Obá - rei-de-todos
Exú Alakétu = título dado a exú pelos kétu da Bahia - rei do povo Kétu -
Exú Elebo = senhor-das-oferendas
Exú Ojìse-ebo = encarregado-e-transportador de oferendas
Exú Elérú = senhor do erú (carrego)
Exú Olòbe = proprietário e senhor da faca
Exú Enú-gbárijo = explicitador de mensagens
Exú Bara = o rei do corpo (obá + ara) (princípio de vida individual)
Exú Odara = aquele que guia (mostra o caminho, vai na frente)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Oxossi

Filho de YEMONJA e ÒÒSÀÀLÀ é o deus da caça e vive nas florestas, onde moram os epíritos dos antepassados. Tem a virtude de dominar os espíritos da floresta.

Na África era a principal divindade de ILOBU, onde era conhecido pelo nome de YRINLÉ ou INLÉ, um valente caçador de elefantes. Conduziu seu povo de ILOBU a guerra e os ensinou a arte de guerrear, permanecendo até hoje nesta cidade.

Ocupa um lugar de destaque nos Candomblés em Salvador, isto porque é o patrono de todos os terreiros tradicionais.

ÒSÓÒSÌ é o único Òrìsá que entra na mata da morte, joga sôbre si um pó sagrado, avermelhado, chamado AROLÉ, que passou a ser um de seus dotes. Este pó o torna imine a morte e aos ÉGÚNS.

Sendo êle um rei, carrega o EYRUQUERE ( espanta moscas ) que só era usado pelos reis africanos, pendurado no saiote.

Come com ÈSÙ e mora do lado esquerdo, onde está situado toda a sua força. Êle é um EBORÁ da esquerda. Cura-se e raspa-se pelo lado esquerdo. OLODÉ é o ÈSÙ de ÒSÓÒSÌ e como pelo lado esquerdo.

Sua saudação: ODE, ÒKÈ ÀRÓ, quer dizer: Salve o caçador.

QUALIDADES:

YBUALAMO

É velho e caçador. Come nas águas mais profundas. Conta um mito que YBUALAMO é o verdadeiro pai de LOGUNEDE. Apaixonado por ÒSUN e vendo-a no fundo do rio, êle atirou-se nas águas mais profundas em busca do seu amor.

Sua vestimenta é azul celeste, como suas contas. Come com OMOLU AZOANI. Usa um capacete feito de palha da costa e um saiote de palha.

INLE

É o filho querido de OSOGUIAN e YEMONJA. Veste-se de branco em homenagem a seu pai. Usa chapéu com plumas brancas e azul claro. É tão amado que OSOGUIAN usa em suas contas uma azul claro de seu filho. Come com seu pai e sua mãe ( todos os bichos ) e tem fundamento com ÒGÚN JÁ.

DANA DANA

Tem fundamento com ÈSÙ, ÒSÓNYÍN, OSÙMÀRÈ e OYA. É êle o Òrìsá que entra na mata da morte e sai sem temer ÉGÚN e a própria morte. Veste azul claro.

AKUERERAN

Tem fundamento com OSÙMÀRÈ e ÒSÓNYÍN. Muitas de suas comidas são oferecidas cruas. Êle é o dono da fartura. Êle mora nas profundezas das matas. Veste-se de azul claro e tiras vermelhas. Suas contas são azul claro. Seus bichos são: pavão, papagaio e arara, tira-se as penas e solta-se o bicho.

OTYN

Guerreiro e muito parecido com seu irmão ÒGÚN, vive na companhia dêle, caçando e lutando. É muito manhoso e não tem caráter fácil. Muito valente, esta sempre pronto a sacar sua arma quando provocado. Não leva desaforos e castiga seus filhos quando desobedecido. Usa azul claro e o vermelho, contas azul, leva capangas, roupas de couro de leopardo e bode. Tem que se dar comida a ÒGÚN.

MUTALAMBO

Tem fundamento com ÈSÙ.

GONGOBILA

É um ÒSÓÒSÌ jovem. Tem fundamento com ÒÒSÀÀLÀ e ÒSUN.

KOIFÉ

Não se faz no Brasil e na África, pois muitos de seus fundamentos estão extintos. Seus eleitos ficam um ano recolhidos, tomando todos os dias o banho das folhas. Veste vermelho, leva na mão uma espada e uma lança. Come com ÒSÓNYÍN e vive muito escondido dentro das matas, sòzinho. Suas contas são azuis clara, usa capangas e braceletes. Usa um capacete que lhe cobre todo o rosto. Assenta-se KOIFÉ e faz-se YBO, YNLÉ ou ÒSUN KARÉ; trinta dias após, faz-se toda a matança.

AROLÉ

Propicia a caça abundante. É invocado no PADE. É um dos mais belos tipos de ÒSÓÒSÌ. Um verdadeiro rei de KÉTU. As pessoas dêle são muito antipáticas. Jovem e romantico, gosta de namorar, vive mirando-se nas águas, apreciando sua beleza. Come com ÒGÚN e ÒSUN. Veste azul claro, aprecia a carne de veado e é agil na arte de caçar.

ODE KARE

É ligado as águas e a ÒSUN, porém os dois não se dão bem, pois exercem as mesmas forças e funções. Come com ÒSUN e ÒÒSÀÀLÀ. Usa azul e um BANTÉ dourado. Gosta de pentear-se, de perfume e de acarajé. Bom caçador, mora sempre perto das fontes.

ODÉ WAWA

Vem da orígem dos Òrìsas caçadores. Veste-se de azul e branco, usa arco e flecha e os chifres do touro selvagem. Come com ÒÒSÀÀLÀ e SÀNGÓ, pois dizem que êle fez sua morada debaixo da gameleira. Está extinto, assenta-se êle e faz-se AIRÁ ou ÒSUN KARÉ.


ODÉ WALÈ

É velho e usa contas azul escuro. É considerado como rei na África, pois seu culto é ligado, diretamente, a pantera. É muito severo, austério, solteirão e não gosta das mulheres, pois as acha chatas, falam demais, são vaidosas e fracas. Come com ÈSÙ e ÒGÚN.


ODÉ OSEEWE OU YBO

É o senhor da floresta, ligado as folhas e a ÒSÓNYÍN, com quem vive nas matas. Veste azul claro e usa capacete quase tampando o seu rosto

ORIKI

ÒSÓÒSI. Awo `ode ìjà pìtìpà. Omo ìyá ÒGÚN ONÍRÉ. ÒSÓÒSI gbà mí o. Òrìsà a dinà má yà. Ode tí nje orí eran. eléwà òsòòsò. Òrìsa tí ngbélé imò, gbe ilé ewé. A bi àwò lóló. ÒSÓÒSÌ kì nwo igbó, kí igbo má mì tìtì. Ofà ni mógàfí ìbon, oo ta ofà sí iná, iná kú pirá. O tá ofà sí oòrùn, oòrùn rè wèsè. Ogbàgbà tí ngba omo rè. Oní màríwò pákó. Ode bàbá ò. Odè ojú ÒGÚN, O fi kan soso pa igba ènìyàn. Ode nú igbó, o fi ofà kan soso pa igba eranko. A wo eran pa si ojúbo ÒGÚN lákayé, má wo mi pa o. Má sì fi ofà owo re dá mi lóró. Odè ò, Odè ò, Odè ò, ÒSÓÒSI ni nbá Odè inú igbo fà, wípé kí ó de igbó re. ÒSÓÒSÌ oloró tí nba ségun, o bá ajé jà, o ségun. ÒSÓÒSI o. Má bà mi jà o. ÒGÚN ni o bá mi se o. Bí o bá nbò láti oko. Kí o ká ilá fún mi wá. Kí o re ìréré ìdí rè. Má gbàgbé mi o, Odè ò, bàbà omo kí ngbàgbé omo.

TRADUÇÃO:

Oxosi! Ó orixá da luta, irmão de Ogún Onire. Oxosi, me proteja! Orixá que tendo bloqueado o caminho, não o desimpede. Casador que come a cabeça dos animais. Orixá que come ewa osooso. Orixá que vive taanto em casa de barro como casa de folhas. Que possui a pele fresca.. Oxosi não entra na mata sem que ela se agite. Ofá é a arma poderosa que o pai usa em lugar da espingarda. Ele atirou a sua flecha contra o fogo, o fogo se apagou de imediato. Atirou sua flecha contra o sol, e o sol se pôs. Ó salvador, que salva seus filhos! Ó senhor do màriwó páko! Meu pai caçador chegou na guerra, matou duzentas pessoas com uma única flecha. Chegou dentro da mata, usou uma única flecha para matar duzentos animais selvagens. Arrasta um animal vivo até que ele morra e o entrega no ojubo de ÒGÚN. Não me arraste até a morte. Não atire sofrimentos em minha vida com seu Ofá. Ó ODÉ! ó ODÉ!, ó ODÉ! Dentro da mata é OXOSI que luta ao lado do caçador para que ele possa cacar direito. OXOSI, o poderoso, que vence a guerra para o rei. Lutou com a feiticeira e venceu. Ó OXOSI, não brigue comigo. Vence as guerras para mim, quando voltar da mata, colhe quiabos para mim , e se colhe-los, tire seus talos. Não se esqueça de mim. Ó ODÉ, um pai não de esquece do filho.